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quinta-feira, 17 de julho de 2008

O pequeno polegar

Um gladiador prostrava outro na areia quente e aguardava que a assistência decidisse o desfecho do derrotado.
Esta espécie de "Você decide" do tempo dos romanos, acabou vendo o seu uso transportado para tempos modernos. A utilização do polegar passou a ditar se algo era bom ou mau consoante a direcção do digito.



O popular site que se auto intitula de "social news" digg.com pegou num conceito já existente há anos do Slashdot e reduziu-o ao simples polegar para cima ou polegar para baixo.

Os utilizadores votam na popularidade da uma história uma única vez. A fórmula funcionou de tal ordem, que fez surgir uma série de clones, como o reddit ou o propeller.

Há mais de um ano que circulam rumores que o Kevin Rose, que é o criador do digg, andava a tentar vender o site. No entanto tal nunca se concretizou, mesmo quando se davam valores como certos e que rondavam sempre as centenas de milhões de dolares.

O Google acenta o seu motor de pesquisa no facto de certos sites terem mais importância que outros, esse factor é chamado de Page Rank (PR).
Um site é considerado importante quando um número suficiente de outros sites aponta (com links) na sua direcção. Por sua vez se os sites que linkam tiverem um PR alto, esse link tem mais valor.
Ou seja, os sites "votavam" nos outros ao linkarem-se uns aos outros. Existe todo um sector de mercado que se dedica a explorar os detalhes de modo a optimizar o posicionamento de um site nos resultados das pesquisas no Google.

Este modus operandi já conta com alguns anos e é algo seguido por todos os outros motores de busca existentes.

No entanto os senhores do Google estão a inovar, numa fase ainda de testes, no sentido de incluir um sistema de polegares à lá digg nos resultados das pesquisas.

Ignorando toda a problemática que poderá surgir relacionada a esta inovação, ocorreu-me que até agora os tipos do Digg tem sido uns porreiraços e tem ignorado os clones que usam o mesmo método para indexar notícias. Mas algo me diz que um processo ao Google terá um desfecho favorável e com um resultado financeiro astronómico.

E eis que surge uma ideia muito simples, será que o Google irá comprar o digg? No fundo sai mais barato do que andar a correr os tribunais a tentar provar que os romanos é que inventaram o polegar.
Por outro lado a comunidade já existente no Digg não irá fazer nenhum levantamento popular contra esta aquisição, como foi o caso aquando de um rumor de uma aquisição pela Microsoft.

É um situação "Win-Win" em que o Google fica com um site que gera um trafêgo enorme, ganha direito a usar a tecnologia sem o mínimo problema legal e o Kevin Rose enriquece ainda mais.

Em qualquer dos casos vale a pena ler a história do Pequeno Polegar na Wikipedia.


segunda-feira, 14 de julho de 2008

Google Lively

Os mundos virtuais são um sector que sempre me fascinou. Poderiam ou deveriam levar o conceito básico da filosofia sobre o conhecimento empírico que temos do mundo que nos rodeia a um nível extraordinário.

Explorei há quase uma década atrás o VRML que na altura pretendia ser a pedra basilar a todas as tecnologias 3d embutidas num browser.

Revelou-se prematuro, tal como foi o The Palace, que de uma forma muito simples permitia aos seus utilizadores criarem as suas próprias salas para estarem na conversa com os seus amigos.

E mesmo o Active Worlds que em 1995 já apresentava um mundo virtual 3d para explorar, falhou redondamente em capitalizar durante o web 1.0 boom.

Poderia referir também o There, o Second Life e o The Sims Online, que são projectos moribundos, com a excepção do TSO que foi recentemente encerrado pela EA.

E eis que surge num sector inesperado a poderosa máquina do Google com o seu novo chat em 3d chamado apenas de Lively.

Dei-me ao trabalho de tirar a poeira ao Vista e dar uma voltinha no Lively no seu dia de lançamento. Acabei por não conseguir falar ou interagir seja com o que for antes de me aborrecer.
Atribui isso ao facto de ser o dia de lançamento e certamente milhares de tipos estavam a tentar fazer exactamente o mesmo que eu.

Mas como o Lively só funciona em Windows não posso de momento falar sobre o seu comportamento actual.

O lançamento deste produto impõe uma reflexão a dois níveis, primeiro sobre como uma empresa com tantos empregados e tão cuidadosamente monitorizada por todo o planeta consegue lançar um produto no maior sigilo. E sobre o business model futuro para este produto.